segunda-feira, 23 de junho de 2008

Pequena Princesa medíocre

Ando meio 'Pequeno Príncipe' nos últimos dias...
Os dias que parecem sempre os mesmos, salvo alguns detalhes.
Meus dèja-vu de particularidades andam tomando minha mente cansada e o passado esvaece cada vez mais; E ainda assim me persegue!
Eu planto minhas rosas, dialogo com elas, faço meu forninho com o simplório propósito de nutrir-me... Isso torna meus meus dias tão pares... Os céus estão sempre estrelados, contudo, perto do meu mundinho não passa uma pomba sequer para me libertar dessa rotina medíocre!
Então converso com minhas rosas e não me incomodo com seus espinhos. Aprecio as cores de suas pétalas. Que pétalas!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Pele

Teu toque
arrepia
minha pele.


Teus beijos
arrepiam
meus nervos;
fraquejam
meus ossos,
amaciam
meus músculos.


Dois corpos em coma.

domingo, 25 de maio de 2008

Uma pequena mácula

"Can you feel a little of love?
Dream on... dream on."


A tarde já ia embora e a bela luz dourada do sol transpassava as janelas. A brisa fazia com que que as finíssimas cortinas brancas levitassem suavemente.
Na cama, a Amada dormia de forma singela enquanto o dourado iluminava seu corpo nu e suado.
Tinha formas um tanto roliças: coxas grossas, panturrilhas redondinhas(as canelas também não eram nada finas), quadris largos, seios fartos. Em seu rostinho redondo abriam-se grandes olhos brilhantes, como pérolas pintadas de sépia; Tudo isso dava-lhe um ar pueril. Pueril também com todo seu jeito, aquela doçura; aquela meiguice de gente que tem medo de explorar o novo, além da vergonha que cultivava de si.
Certa vez, em seu colégio, houve uma excursão ao museu da cidade para que os alunos vissem os singelos quadros de Botelho e eis que um acéfalo grita, com o dedo estendido:
-Ela se parece com esses quadros! -Daí pra frente não houve quem não a chamasse de Botelho na sala de aula.
Mas isso não tinha importância agora, porque ela jamais imaginaria que seria amada daquela forma(quanto mais desejada!).
Ali estava a Amante: Sentada, os olhos saborendo aquele corpo deitado, desejando-a mais e mais. A Amante ainda contemplava sua ninfa doce e bela. Encantou-se com aquele ser desde a primeira vez que a viu e desejava-a como uma criança que persegue a última figurinha que falta para seu albúm.
Bebeu a última taça de vinho branco; só uma calcinha verde-água cobria seu corpo magro, os mamilos duros. Ria-se. Alegria e álcool brincavam no seu cérebro. Conquista. Sim, sim! Conquista! Lutou para tê-la, com seus melhores argumentos estratagemas. Conseguiu sua confiança, seus beijos e sua posse. Pensou como seria daqui em diante: as carícias, os beijos, as posses, os diálogos, a saudade...
A saudade...(!) Mergulhou em algo estranho, o peito apertava crescentemente. Precisava, à partir de agora, agir com discrição e prudência. Mas por quê? De repente viu o panorama completo: Passado, presente e futuro. Para cada descúido haveria uma conseqüência. Não que ela pensasse em si! Aguentava todos os raios que recebia dos céus e todos os olhares de desdém dos conservadores. Mas sabia que sua Amada não. Era frágil... Não fraca! Era doce e muito nova para aguentar a homofobia, a repulsa. Havia deixado uma pequena mácula em seu Amor, inesquecível.
Suas mãos elevaram-se à face enquanto as lágrimas corriam pelas maçãs. Soluços, soluços... Dois ou três. Encontrou-se prostrada diante do leito e só então cessou o choro para contemplá-la. Encantou-se ainda mais.


E eu preciso acreditar que as duas encontraram não só a paixão, mas também o amor. Como uma reza encrustada em minha carne, que não viu pecado no amor.

sábado, 24 de maio de 2008

Aço; puro aço.


Esses dias eu me encontro apática, sem humanidade - seja ela como for-,
puro aço!
Perdendo qualquer espécie de capacidade. Qualquer espécie de paciência.
Sim, eu sou horrenda.
Sim, eu sou falsa e mesquinha.
Tão mesquinha quanto o olhar daqueles ao meu redor na multidão.
Eu sou puro aço: um falso brilho, uma falsa graça.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Quando não, há sempre persistência!


Pela penitência persistente,
pela culpa quase que constante.
Que motivos haveriam ou não...
Quando o vento não entra quente nos pulmões,
toca com frieza a face.

sábado, 10 de maio de 2008

Mal-criada


Eu não penso precisar de compaixão
ou piedade.
Não quero a ternura de desconhecidos.
Eu realmente não preciso.
Nem a obediência dos bons meninos.
[O desejo cruel de cuspir nos dogmas pessoais]
Eu gosto é de distorcer a 'realidade' que esses alheios criam.
Pena que hoje eu não respondi mal ao meu educador,
santo!
Por hoje eu não fui uma menina mal-criada.
Eu não bati o pé e nem fiz biquinho.
Mas eu penso mal,
sim, eu penso mal...
De um modo grotesco.
Prefiro ajoelhar no milho.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Caminhar a dois


Se me encontro na estrada,
se me encontro sozinha
a caminhar,
onde será o fim?
Se me encontro sozinha
a caminhar,
logo me ponho a correr;
Fugir;
[do quê?]
[não sei]
Contudo, devo dizer:
Se estás ao meu lado,
as flores brotam sobre o meio-fio.
Se me abraçares forte, bem forte,
os carros evaecem;
a chuva inrrompe,
o mundo cala,
a lua volta,
o medo vai,
o asfalto brilha;
E talvez até os sapos coachem mais...

Os tiros cessam e meu mundo conhece a paz.
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[Foto: Jennifer e Dave Gahan caminhando... ;D]